Praças ao Lado de Viadutos: O Dilema do Planejamento Urbano Entre Saúde Pública e Aproveitamento de Espaço

A instalação de áreas de lazer em zonas de tráfego intenso levanta um debate complexo sobre poluição, segurança e a escassez de terrenos em metrópoles.
A questão da implantação de praças e áreas de convivência nas adjacências de viadutos e grandes vias de tráfego não se resume a um simples “certo ou errado”. Ela representa um dos dilemas mais prementes do planejamento urbano contemporâneo, forçando gestores a ponderar entre a necessidade de criar espaços verdes e a manutenção da qualidade de vida e saúde pública dos cidadãos.
Apesar de ser uma prática observada em cidades com alta densidade populacional, a localização de áreas de lazer ao lado de infraestruturas de tráfego pesado está longe de ser o cenário ideal.

Os Custos Invisíveis: Poluição e Qualidade de Vida
A principal crítica a essa prática reside no impacto direto do tráfego sobre o ambiente de lazer, transformando o que deveria ser um refúgio em uma área de exposição a riscos:
- Poluição do Ar: A proximidade com vias de alto fluxo veicular resulta em elevadas concentrações de gases tóxicos e material particulado (MP), como óxidos de nitrogênio e monóxido de carbono. A exposição contínua a esses poluentes representa um risco significativo, especialmente para grupos vulneráveis como crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios.
- Poluição Sonora: O ruído incessante e intenso do tráfego compromete o objetivo central da praça – ser um local de descanso, tranquilidade e convivência social. O barulho constante gera estresse e pode prejudicar a saúde auditiva e mental dos frequentadores.
- Segurança e Estética: A estrutura maciça dos viadutos pode criar áreas de sombra e visibilidade reduzida, que, se não forem bem iluminadas e monitoradas, podem suscitar insegurança. Além disso, a arquitetura imponente tende a desvalorizar a estética e a sensação de bem-estar do espaço verde.

A Oportunidade da Regeneração Urbana
Em contrapartida, defensores do aproveitamento desses espaços apontam para a dura realidade da escassez de espaço em megacidades.
O uso de áreas sob ou ao lado de viadutos é visto, por vezes, como a única alternativa para resgatar terrenos que, de outra forma, ficariam inutilizados, degradados ou se tornariam focos de lixo. Essa estratégia se enquadra na busca pela regeneração urbana, onde projetos arquitetônicos e de paisagismo são usados para “costurar” a malha urbana, mitigando o “efeito barreira” imposto pelas grandes construções.

Soluções de Mitigação: O Que Deve Ser Feito
Quando a localização adjacente a viadutos se torna inevitável por questões logísticas, a aceitabilidade da prática depende de medidas de mitigação robustas e do monitoramento constante:
- Barreiras Físicas: Uso de muros ou barreiras acústicas de alto desempenho para atenuar o ruído do tráfego.
- Vegetação Densa: Implantação de cinturões verdes densos, com espécies arbóreas e arbustivas, que atuam como filtros naturais, ajudando a absorver parte dos poluentes atmosféricos e a dispersar o ruído.
- Monitoramento: Estabelecimento de um sistema contínuo de monitoramento da qualidade do ar e do som para garantir que os níveis de poluição estejam dentro dos limites de segurança para uma área de lazer.
Em suma, embora a prioridade urbana deva ser a saúde e o conforto, localizando praças em áreas de ar mais limpo e mais silenciosas, o aproveitamento de espaços marginais em viadutos pode ser uma solução aceitável – mas somente se vier acompanhada de um investimento pesado e permanente em tecnologia e paisagismo para proteção da saúde pública.
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Ronaldo José
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