10 de fevereiro de 2026

Epidemia Silenciosa: O Perigo da Romantização da Dependência Química  

Por que a glamourização do uso de substâncias está dificultando a prevenção e o caminho para a sobriedade 

O que antes era tratado como “fase”, “curtição” ou “estilo de vida” hoje se revela uma das maiores ameaças silenciosas à saúde pública no Brasil e no mundo. Enquanto políticas públicas avançam a passos lentos, o número de pessoas que cruzam a linha entre o uso recreativo e a dependência severa cresce de forma alarmante. O problema central não está apenas na facilidade de acesso às drogas, mas na forma como elas são vendidas como sinônimo de liberdade, sucesso e rebeldia. 

A ilusão do glamour que esconde a destruição 

Nas redes sociais, séries, clipes e memes, o consumo de substâncias é constantemente romantizado. O “fumo do fim de semana”, a “balada com pó”, o “copo que relaxa” aparecem como símbolos de autonomia e prazer. Essa narrativa cria uma perigosa ilusão de controle: quem começa acha que “para quando quiser”

A ciência é implacável: o que começa como escolha social rapidamente se transforma em necessidade fisiológica. O cérebro se adapta, a dopamina cai, e o que era euforia vira sobrevivência. A saída, quando chega, exige esforço multidisciplinar, apoio profissional e, acima de tudo, quebra do silêncio. 

Informação é a arma mais poderosa de prevenção 

Negar a gravidade só faz o problema avançar. A prevenção eficaz se apoia em três pilares claros: 

  • Educação realista – mostrar os efeitos reais no cérebro, no corpo e na vida a longo prazo, sem sensacionalismo. 
  • Desconstrução do estigma – para que quem precisa de ajuda não tenha medo de pedir. 
  • Valorização da sobriedade – reforçar que liberdade verdadeira é ter autonomia sobre a própria mente e corpo. 

“A informação salva vidas. Onde há conhecimento, o medo e a negação perdem espaço para o cuidado e a recuperação.” 

O que está acontecendo em Barra do Piraí (RJ) 

Aqui na região, o Portal Nossa Região acompanha diariamente o aumento preocupante de jovens em situação de rua, apreensões constantes de drogas e a presença cada vez maior de usuários em pontos de comercialização. O município conta com o trabalho dos CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) e da Assistência Social, mas o Conselho Municipal de Políticas Sobre Drogas (COMAD) precisa funcionar de forma plena e articulada para transformar dados em ações concretas de prevenção. 

Sobriedade não é perda – é reconquista 

Tratar a dependência química não é castigo. É devolver à pessoa o controle da própria vida. O primeiro passo é falar abertamente sobre o tema, educar os jovens, apoiar as famílias e oferecer tratamento acessível e humanizado. 

A epidemia silenciosa só será contida quando deixarmos de romantizar o que destrói e passarmos a valorizar o que realmente liberta. 

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