
Jovem de 28 anos é vítima de quadrilha contratada por disputa patrimonial; seis pessoas são presas em operação da Polícia Civil na Baixada Fluminense
Em um caso que chocou a Baixada Fluminense, a Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu, no início de janeiro de 2026, seis pessoas envolvidas no sequestro de um jovem de 28 anos, ocorrido no distrito de Piabetá, em Magé (RJ). A mandante do crime seria a ex-companheira da vítima, identificada como Gleice Telles (ou Gleice Carla da Silva Telles), de 50 anos, que teria contratado uma quadrilha conhecida como “setor de captura” para levar o ex-marido, Pablo Felipe Tami Rodolfo, à força até uma clínica de reabilitação clandestina em Itaboraí, na região metropolitana.
De acordo com as investigações, a motivação principal seria financeira: uma disputa por bens e patrimônio do casal. A suspeita teria alegado falsamente dependência química da vítima — que, segundo alguns relatos, nunca teria usado drogas — para justificar a internação compulsória ilegal e tentar mantê-lo incapacitado, favorecendo a divisão de bens.
Imagens de câmeras de segurança registraram momentos dramáticos da ação criminosa: a vítima tentando fugir desesperadamente antes de ser capturada em um mercado, colocada à força em um veículo e levada para o local clandestino, distante cerca de 30 km de sua residência.
A operação policial resgatou o jovem, que foi libertado e passa bem. Entre os detidos estão os sequestradores, funcionários da clínica clandestina e a própria mandante, que se apresentou espontaneamente e confessou participação no esquema. A polícia ainda busca o administrador do estabelecimento irregular.
Clínicas Clandestinas: Um Problema Grave de Violação de Direitos
Esse caso expõe novamente a grave realidade das clínicas de reabilitação clandestinas no estado do Rio de Janeiro, que frequentemente funcionam como verdadeiros locais de cárcere privado. Essas instituições irregulares lucram com o desespero de famílias, violando direitos humanos, praticando privação de liberdade sem autorização judicial e ignorando a dignidade das pessoas.
No Brasil, a internação compulsória é expressamente proibida pela lei, exceto em situações muito específicas: com ordem judicial e laudo médico fundamentado. Qualquer abordagem violenta, sem consentimento e sem aval da Justiça, configura crime grave — como sequestro e lesão à liberdade individual.
Especialistas e autoridades reforçam que a dependência química é uma questão séria de saúde pública e deve ser tratada com acolhimento, abordagem multiprofissional e, acima de tudo, respeito à vontade do paciente. Comunidades terapêuticas legais e éticas existem e realizam trabalho importante, mas são prejudicadas pela ação de grupos criminosos que usam o tema como pretexto para práticas abusivas.
O caso segue em investigação para identificar outros possíveis envolvidos e vítimas, além de apurar as condições da clínica clandestina utilizada.
Cuidar de quem precisa de ajuda é essencial. Mas sequestrar, violentar e privar de liberdade jamais pode ser considerado “tratamento”.
Fotos e vídeo acervo SBT
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Ronaldo José
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