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Polêmica Havaianas: Comercial com Fernanda Torres vira alvo de boicote e expõe polarização política no Brasil

Frase “não comece 2026 com o pé direito” é interpretada como indireta ideológica, enquanto críticos pedem maturidade e fim da divisão entre direita e esquerda 

A campanha de fim de ano da Havaianas, estrelada pela atriz Fernanda Torres, transformou um simples jogo de palavras em uma nova batalha da polarização política brasileira. No comercial lançado em dezembro de 2025, Torres diz: “Desculpa, mas eu não quero que você comece 2026 com o pé direito”, sugerindo em seguida que o ano novo seja iniciado “com os dois pés” – na porta, na estrada ou onde quiser. O que parecia uma brincadeira inocente com a expressão popular de boa sorte foi vista por políticos e influenciadores de direita como uma crítica velada ao espectro conservador, desencadeando pedidos de boicote à marca icônica. 

Figuras como Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira lideraram as críticas nas redes sociais. Eduardo publicou um vídeo jogando chinelos Havaianas no lixo, alegando que a escolha de uma atriz “declaradamente de esquerda” e a frase sobre o “pé direito” não eram coincidência. Nikolas Ferreira ironizou o slogan da marca: “Havaianas, nem todo mundo agora vai usar”. Outros parlamentares, como Cleitinho Azevedo, viram na propaganda uma “metáfora” contra a direita, especialmente em um ano pré-eleitoral. As reações incluíram vídeos de usuários destruindo ou descartando seus chinelos, e sugestões de migração para concorrentes como Ipanema. 

Do outro lado, vozes da esquerda zombaram das críticas, com a deputada Erika Hilton questionando se as Havaianas “não servem direito nos cascos” dos bolsonaristas. A polêmica impactou até a Bolsa: as ações da Alpargatas, dona da marca, caíram inicialmente, perdendo milhões em valor de mercado, embora tenham se recuperado dias depois. 

Mas nem tudo se resume a uma guerra ideológica. Críticos da polarização argumentam que episódios como esse revelam uma política que força tudo em caixas de direita ou esquerda, subestimando a inteligência do povo brasileiro. “A política de hoje tenta nos colocar em uma falsa guerra entre direita e esquerda, como se não existisse mais espaço para criatividade, diálogo ou pensamento próprio”, reflete um comentário amplamente compartilhado nas redes. Basta uma propaganda de chinelo para criar narrativas inteiras sobre ideologia, como se uma frase definisse caráter ou posicionamento político. 

O povo brasileiro, no entanto, demonstra não ser tão manipulável quanto alguns acreditam. O Brasil precisa de maturidade política, propostas concretas e líderes que respeitem a inteligência coletiva, em vez de jogadas teatrais que alimentam a divisão. Como bem disse Albert Einstein: “Duas coisas são infinitas: o Universo e a estupidez humana. Mas, em relação ao Universo, ainda não tenho certeza absoluta”. 

Até o momento, a Havaianas e Fernanda Torres não comentaram oficialmente a controvérsia, deixando o debate fervendo nas redes. 

Ronaldo José: Como jornalista, minha paixão pela informação e comunicação moldou minha trajetória profissional. Dedico-me ardentemente a levar notícias de forma ágil e precisa, sem comprometer a imparcialidade. Ronaldo José-JORNALISTA: Registro-0041725/RJ

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